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domingo, 10 de setembro de 2017

O Neoliberalismo: O Flagelo para os pobres

Prof. Wilson Horvath
Esse texto aborda os conceitos defendidos pela corrente ideológica neoliberal, traz à tona as suas falácias (mentiras, que parecem verdadeiras) e o como ele é prejudicial para a economia de um país, em especial para os pobres.


O neoliberalismo é uma corrente ideológica político-econômica que, depois da crise econômica iniciada em 2008 foi deixada de lado, mas após a recuperação parcial da economia realizada graças à intervenção estatal (Welfare State), ação contrária ao pensamento neoliberal, haja vista que os Estados se tornaram os grandes interventores e reguladores da economia para salvá-la do colapso, voltou a fazer parte das pautas político-econômicas e está muito presente nas ações de desmonte do Estado realizada pelo (des)governo Temer.
Em linhas gerais, o neoliberalismo prega a diminuição do poder do Estado em relação à economia, que se desenvolveria melhor sem a tutela política e, consequentemente, traria avanços tanto para a população, como para a nação.
Os governos deveriam apenas assumir a função de árbitro e se limitariam a evitar os conflitos entre cidadãos ou entre empresas, impedir a coerção de um cidadão sobre o outro ou de uma empresa sobre o cidadão, a fim de que o indivíduo não perca a sua liberdade de decidir o que é melhor para si, prezar pela efetivação do que foi assinado em contrato, regular os direitos sobre a propriedade privada e protegê-la[1].
As pessoas, de acordo com a ideologia neoliberal, ganhariam devido à sua capacidade produtiva. O Estado deveria promover a competição entre os cidadãos e entre as empresas, como forma de gerar mais desenvolvimento e riquezas para elas, o que decorreria em riquezas para a nação.
Nessa forma de pensamento, se o Estado interviesse em favor da população, ele atrapalharia a competição e consequentemente reduziria a produção, a inovação e o crescimento[2].
A educação, nesse contexto, tem a função de formar as pessoas para o sistema competitivo; assim, quanto mais elas produzirem, mais elas terão benefícios econômicos. Os educandos são encarados como capital humano e os gastos em educação se justificam pelo mesmo motivo que se investe em máquinas, para obter retornos financeiros, ou por parte do Estado, da empresa privada ou da família[3].

O que de fato promove o Neoliberalismo?

O neoliberalismo é talvez o flagelo econômico que conquistou mais adeptos de forma ideológica ao longo da história humana. As ideias e ações políticas, inspiradas nessa ideologia, foram responsáveis pelo saque das riquezas das nações e o repasse dessas para as mãos de grandes investidores, por meio de privatizações, o que diminuiu o poder econômico dos Estados para ações sociais.
O povo tem seus direitos trabalhistas, esses conquistados por excessivas lutas, durante vários anos, serem esmagados por projetos de Lei, propostos e aprovados pelos órgãos oficiais das governanças dos diversos países, que assumiram essa ideologia. Investimentos, ao invés de serem usados em vista do bem do povo, foram usados para aumentar o lucro e a competividade das grandes empresas.
As grandes potências econômicas obrigaram os países pobres a assumir o discurso neoliberal e reduzir as ações político-econômicas nacionais (o neoliberalismo só vale para os países pobres, não para as grandes potências); porém, essas nações se viram obrigadas a seguir à risca as determinações político-econômicas impostas pelas grandes potências, o que aumentou ainda mais a pobreza e o nível de dependência desses países.
O neoliberalismo, portanto, nunca existiu como sistema político-econômico, não passando de uma ideologia, no sentido mais perverso do termo, para justificar as ações de um Estado forte na economia, em favor dos ricos e em prejuízo dos mais pobres.


[1] Segundo, o ideólogo neoliberal, Friedman: “Um governo que mantenha a lei e a ordem; defina os direitos de propriedades; sirva de meio para a modificação dos direitos de propriedade e de outras regras do jogo econômico; julgue disputas sobre a interpretação das regras; reforce contratos; promova a competição; forneça uma estrutura monetária; envolva-se em atividades para evitar monopólio técnico e evite os efeitos laterais considerados como suficientemente importantes para justificar a intervenção do governo; suplemente a caridade privada e a família na proteção do irresponsável, quer se trate de um enfermo mental ou de uma criança; um tal governo teria, evidentemente, importantes funções a desempenhar. O liberal consistente não é um anarquista” (1984, p. 39).
[2] De acordo com Friedman: “A distribuição da renda é uma das áreas em que o governo tem causado maior número de males - que não consegue eliminar mais tarde com outro conjunto de medidas. É outro exemplo da justificação da intervenção do governo em termos de alegadas deficiências do sistema de empresa privada, quando, na verdade, a maioria dos fenômenos que os defensores de um governo mais forte criticam são, eles próprios, criação dos governos, fortes ou fracos” (Ibidem, p. 160).
[3] Nas palavras de Friedman: “[...] Trata-se de uma forma de investimentos em capital humano precisamente análoga ao investimento em maquinaria, instalações ou outra forma qualquer de capital não humano. Sua função é aumentar a produtividade econômica do ser humano. Se ele se tornar produtivo, será recompensado, numa sociedade de empresa livre, recebendo pagamento por seus serviços - mais alto do que receberia em outras circunstâncias. Essa diferença no retorno é o incentivo econômico para o investimento de capital - quer sob a forma de uma máquina quer em termos de ser humano [...]” (Ibidem, p. 95).

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Bem-vindos de volta ao estado de dependência!

Prof. Wilson Horvath


Eles venceram? A elite que sempre governou o país venceu? os EUA, a neo-metrópole, venceu!?
O povo está aos poucos voltando para o estado de extrema pobreza, de onde, aos olhos da elite, nunca deveria ter saído.
E o Wilson também vai se fuder junto! E outros milhões de diferentes nomes, mas de mesma sina, estarão fudidos! E quando parecer que acabou, vamos nos fuder mais ainda!
Pessoas como nós não poderiam sonhar em ser cidadãos de um país grande! Na visão da elite:
O Brasil não pode ser grande, fomos e seremos apenas uma colônia de exploração, de um povo miserável, subserviente aos interesses da metrópole; por isso estão entregando a preço de banana nossas riquezas nacionais para a burguesia internacional.
Nossos filhos não podem estudar nas melhores universidades do Brasil e do mundo; por isso extinguiram o Ciência sem Fronteira; estão acabando com o PROUNI, FIES e com as bolsas de pós-graduação (mestrado e doutorado).
Nossa escola tem que ser o pior possível, somente para ensinar o filho do pobre a apertar parafuso; por isso criaram a "Escola sem Partido", a mais partidária possível.
O povo não pode ter dinheiro, se não ele vai querer comprar, viajar, aumentar os lucros da classe média; por isso estão acabando com os programas de transferência de renda, com o Bolsa Família e estão desempregando sistematicamente a população (aumentar o Exército de Reserva para garantir a Mais-Valia).
E o salário tem que ser o menor possível; por isso modificaram o processo de valorização salarial; esse ano foram dez reais a menos, ano que vem...?
Os doentes pobres, esses querem que morram!; por isso estão cortando o BPC (Benefício de Prestação Continuada), acabaram com a Farmácia Popular, estão fechando unidades de saúde.
Os pobres não podem ter casa própria, tem que morar em barracos; por isso estão destruindo o Minha Casa Minha Vida.
Se tivemos doze anos de sonhos e esperanças que o Brasil poderia ser diferente, esse sonho acabou... Voltamos para a Casa Grande & Senzala!
De uma elite lambe-botas dos gringos e carrasca com a população.
E um povo de cabeça baixa, servindo e sem reclamar das chicotadas do algoz.
E, assim como está acontecendo e ocorrerá com outros tantos, o Wilson, o João, o Pedro, a Maria, a Francisca... deixarão de responder por seus nomes e voltarão a ser o que nunca poderiam ter deixado de serem, apenas "Severino, de Morte e Vida Severina"!
Bem-vindos de volta ao estado de dependência!
Diante desse quatro, a questão é: Vamos continuar de cabeças baixa ou vamos lutar?

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Temer vai cair?

Prof. Wilson Horvath

Neste breve ensaio futurológico, atrevo a fazer algumas previsões sobre o destino do governo golpista a partir da leitura do cenário atual. Estas tentativas de adivinhações não são deterministas, nem conclusivas; longe disso, elas podem mudar a qualquer instante.
Vivemos em constante transformação, algo que possa parecer certo hoje, amanhã, melhor antes mesmo que eu termine esse texto ou que você o leia, está sujeito a perder toda a sua consistência; tal como afirmou o filósofo grego Heráclito há mais de 2500 anos: “Nada é permanente, senão a própria mudança”; “Tudo flui. Tudo está em movimento e nada dura para sempre”!

Resposta à pergunta: Temer vai “cair”?

Infelizmente, minha presunção é que NÃO!
Contrariando as projeções de pessoas muito melhores intelectualmente do que eu e os anseios hegemônicos à esquerda e de alguns setores progressistas à direita, que dizem “ter acabado o governo dele”, que “é certeira a sua saída”.
Não é provável que o “Traíra” seja deposto! Ao menos, não por ora.
Como disse: INFELIZMENTE!
E faço esta conjectura sem a pretensão de estar certo, ao contrário, desejo estar inteiramente errado e desmentido o mais rápido possível!

Os porquês dessa percepção

As manifestações populares contra o governo ilegítimo são poucas e esporádicas, tivemos a Greve Geral em 28 de abril de 2017; alguns eventos no dia 01 de maio, Dia do Trabalhador; a manifestação contra as reformas trabalhistas e previdenciárias em Brasília no dia 24; uma manifestação em Copacabana, chamada por artistas, no dia 28 do mesmo mês e outra no Largo da Batata no domingo, dia 04 de junho; algumas pequenas manifestações espalhadas pelo país. E uma chamada para outra Greve Geral somente para o final do mês de junho, dia 30, dois meses depois da primeira.
Esses poucos eventos são insuficientes! Façamos um paralelo, analisando tanto a quantidade como a intensidade, com os que foram contra a Presidenta Dilma ou com os que conseguiram derrubar a Ditadura Militar.
Movimentos tradicionais progressistas, em sua maioria, se institucionalizaram, o que os tornaram excessivamente burocráticos e lentos para a ação. A esquerda partidária está fragmentada e não consegue mais fazer uma opção de fato. E ambos não sabem mais dialogar com a população, em especial com a juventude.
E há uma grande acomodação da população, e ou uma alienação total sobre os efeitos que as reformas propostas por Temer trarão para a vida do trabalhador ou até mesmo uma aceitação dessas medidas, haja vista que elas são propagadas pela grande mídia como benéficas.
E a concepção de que o seu governo está no fim reforça essa acomodação! O que o ajuda a se manter no poder!

As forças políticas e econômicas

M. T. (alcunha de Michel Temer na lista da Odebrecht) não tem apoio popular e possui uma enorme rejeição popular, mas isso não basta para tirá-lo do poder.
Ele tem o apoio da grande burguesia (nacional e internacional) que financiou o golpe e o empossou. E o presidente da “próclise, mesóclise, ênclise” segue à risca as determinações neoliberais, basta ver, além das reformas propostas contra a classe trabalhadora, estão: o perdão das dívidas bilionárias dos bancos e das grandes empresas, a entrega do patrimônio nacional para a burguesia, em especial à internacional.
A maioria do congresso está “amarada”, “no mesmo barco”, em especial quem pode abrir o processo de Impeachment. E o Judiciário, salvo raras exceções, está acovardado e conveniente – Será que alguém com o mínimo de conhecimento em política chegou a acreditar que o TSE, presidido por Gilmar Mendes, cassaria  Temer? E mesmo que o cassasse, caberia a ele recurso no STF.
A grande mídia, embora apresente fatos de corrupção envolvendo M. T., nem de longe está fazendo uma oposição de fato, como fez e continua a fazer contra os presidentes petistas Lula e Dilma. As manchetes passadas pela mídia golpista servem mais para desinformar e entreter do que para conscientizar, como sempre fizeram ao longo da história.

É preciso lutar

Retomando o pensamento de Heráclito, temos que: “A guerra [a luta] é mãe e rainha de todas as coisas; alguns transforma em deuses, outros, em homens; de alguns faz escravos, de outros, homens livres”.
Vivemos em uma eterna guerra de forças opostas, de Tese X Antítese, elas se chocam, se contradizem em alguns momentos; em outros se convergem em uma mesma direção; em ambos os casos geram Sínteses que entram nesse jogo dialético de luta, que tendem ao infinito.
Assim, se quisermos depor o Traíra e, o mais importante, modificar a mentalidade governamental, que se impôs após o golpe, e está deixando o Brasil nos trilhos do “anti-desenvolvimento”, totalmente contra o povo, pois Temer pode até cair, mas se o desmonte do Estado persistir, de nada adianta a sua saída, ao contrário, pode ser até pior – se existir algo pior que seu governo.
Devemos deixar a posição de espectadores, de passivos, de pessoas “a espera de um milagre”. E assumirmos as rédeas de nossa história, devemos ir às ruas, sempre e de fora contínua e sistemática. Precisamos conscientizar o máximo de pessoas; buscar soluções institucionais e, principalmente, populares! Devemos ir além do que está sendo feito.
Caso não, passaremos os próximos dois anos xingando, amaldiçoando o presidente golpista, assistindo da poltrona de casa ou à mesa do boteco ele destruir o país e os poucos direitos dos trabalhadores.
Encerro este textículo, após deixar uma garrafa de champanhe guardada na despensa a fim de que seja aberta no dia em que Temer sair da presidência; e quiçá seja conduzindo à papuda para pagar pelos erros cometidos. Mas com o pressentimento de que o champanhe ficará um bom tempo envelhecendo.

Observação: Não escrevi este texto para desanimar; ao contrário, o redigi para nos animarmos em nossa militância em prol de um país melhor, a partir de uma leitura realista!